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A secretária executiva Thaís Zamariola Silva, 27, está acostumada a acordar às duas da manhã para colher morangos, milho e outros hortifrutigranjeiros. Falando assim, parece rotina de quem mora no campo, mas sua colheita é feita na frente do computador, na cidade Rio Claro (173 km de São Paulo).
"Você mantém contato com outras pessoas, essas pessoas estão jogando e brincando. Aí você começa um contato com essas pessoas que não estava tendo antes", conta a usuária do Facebook, que passa duas horas por dia no jogo, em média. "Se pudesse, passaria mais", confessa.
Arquivo Pessoal
Thaís Zamariola Silva, 27, acorda duas da manhã para colher hortifrutigranjeiros
Nova rede social
Em maior ou menor grau, a interação descrita por Thaís é um hábito para ao menos 72 milhões de pessoas que participam do latifúndio virtual ao redor do mundo. Há ainda aquelas que usam outros aplicativos, como o Mafia Wars (27 milhões) e Café World (32 milhões). Segundo dados do Ibope, no Brasil, dos 7,2 milhões de usuários que estiveram no Facebook em dezembro de 2009, 32% estiveram em algum desses jogos.
Talvez seja demais afirmar que os games sociais mudaram a rotina "real" de todos seus usários. Por outro lado, é certo que esses aplicativos transformaram a forma como usamos sites de relacionamento.
"Sem a interação entre os jogadores, o game não teria o mesmo resultado. Aproveita-se a lógica da ferramenta social [Facebook] e se dá uma utilidade para os amigos", diz o coordenador do projeto Game Studies do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, Arthur Protasio.
"Se no Orkut eu tinha 999 amigos e abria outro perfil, terminava por aí, não havia mais o que fazer, exceto me gabar por isso. Agora, existe uma participação, uma aplicação útil para os meus amigos na rede social", observa.
"É uma via de duas mãos: existem os jogos e as ferramentas sociais. Há uma 'gameficação' da mídia e, ao mesmo tempo, há a socialização dos games. São dois mundos se integrando", diz.
Reprodução
Tela do game Farmville, cujo número de usuários chega a 72 milhões; game faz revisão em site social
O colunista da Folha Ronaldo Lemos também enfatiza o caráter altamente viciante. "É o grande atrativo desses jogos. Você está ali, competindo e colaborando, com outras pessoas", observa ele. "E também retira aquele caráter de que o usuário de games é solitário, porque ali estão todos juntos, interagindo."
"É um jogo de escassez: pessoa trabalha com recursos escassos, administrando a escassez com outras pessoas em um minimercado virtual --existem alguns elementos de mercado no jogo. Isso os torna altamente viciantes", afirma ele.
Tão viciantes a ponto de fazerem Thaís acordar de madrugada para cuidar de seu pequeno latifúndio virtual -- e o definir como seu "segundo" lar. "Queria que fosse a minha casa", confessa.
Fonte: Folha informática
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